Para que o homem em tempo indigente? Reflexões sobre o lugar da filosofia diante da inteligência artificial

Autores

  • Roberta Puccini Gontijo

Resumo

Na elegia Pão e Vinho, Hölderlin expõe a indigência experienciada pelo homem quando, ao ser abandonado pelos deuses, em vez de clamar pelo divino, sente-se capaz de viver sem a manifestação do sagrado. Todavia, ao se afastar do transcendente, o homem sente a necessidade de encontrar um terreno estável que lhe sirva de guia diante da relatividade da realidade concreta; sente, portanto, a necessidade de uma espécie de experiência religiosa substituta. Assim, o profano passa a ser sacralizado. Na era da inteligência artificial, quando a técnica engendra um conflito entre o homem e sua própria criação, a sacralização do logos – do pensamento científico, racional – ultrapassa a razão humana, alcançando o inanimado. Quem pensará nestes tempos? Somente a máquina? Para que servirá o homem? À luz desses questionamentos, busca-se nesse texto compreender a importância do pensar filosófico na contemporaneidade. Para tanto, utiliza-se revisão bibliográfica. Ao longo deste estudo, vê-se que o saber enciclopédico, per se, não faz o homem, que também se delineia a partir do questionar, do sentir, do encontro íntimo com Deus, consigo mesmo e com seus semelhantes. Sob essa lente, a filosofia, ao evidenciar que a mera razão não sustenta toda a complexa experiência humana, desafia-nos ao desprendimento da visão cientificista hoje ainda hegemônica.

Palavras-chave: Inteligência artificial. Filosofia. Razão humana. Sagrado e profano. Tempo indigente.

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Publicado

2023-12-29

Como Citar

Gontijo, R. P. (2023). Para que o homem em tempo indigente? Reflexões sobre o lugar da filosofia diante da inteligência artificial. Annales Faje, 8(5), 34. Recuperado de https://faje.edu.br/periodicos/index.php/annales/article/view/5494