Nietzsche e a experiência da gratidão (Charis) na poesia de Píndaro

Autores

  • Ricardo Pedroza Vieira Colégio Pedro II

DOI:

https://doi.org/10.20911/25260782v11n3p83/2026

Resumo

O livro The Age of Grace - Charis in Early Greek Poetry, de Bonnie MachLachlan (1993), abriu um horizonte de interpretação da poesia grega arcaica centrado na experiência da charis (χάρις), termo cujo amplo campo semântico orbita as ideias básicas de graça, gratuidade e gratidão. Recentemente, publicamos (VIEIRA; ONELLEY, 2024) uma tradução e interpretação da Segunda Ode Pítica de Píndaro sob a perspectiva da centralidade desta experiência. O verso 72 desta ode (γένοι’ οἷος ἐσσὶ μαθών) foi traduzido e popularizado por Nietzsche como “Werde, der du bist”, “Torna-te quem tu és” (ver p.ex. Also Sprach Zarathustra, IV, “Das Honig-Opfer”). Não obstante, uma leitura da nota póstuma NF 1881, 11[297] em paralelo com uma interpretação de Píndaro centrada na experiência da charis resulta em tamanha coincidência temática e argumentativa que nos permite reivindicar uma reconstrução dos pressupostos da leitura nietzscheana da poesia de Píndaro (e em especial do verso mencionado), determinando-os desde um interesse central na gratidão (Dankbarkeit) e seu papel ético e ontológico, ligado à criatividade. O presente trabalho pretende apresentar este paralelo como introdução à temática da gratidão no pensamento de Nietzsche.

Palavras-chave: Charis. Criatividade. Gratidão. Moral Nobre. Poesia Grega Arcaica.

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Publicado

2026-07-06

Como Citar

Vieira, R. P. (2026). Nietzsche e a experiência da gratidão (Charis) na poesia de Píndaro. Annales Faje, 11(3), 83. https://doi.org/10.20911/25260782v11n3p83/2026