Entre Moral, Verdade e Criação: O Caminho à Afirmação Estética em Nietzsche
DOI:
https://doi.org/10.20911/25260782v11n3p92/2026Resumo
O objetivo deste trabalho é apresentar a passagem da crítica moral e verdade à perspectiva ética e criativa em Nietzsche. O esteticismo do filósofo alemão se manifesta na compreensão artística da existência, na criação e ressignificação dos sentidos que antes regiam os indivíduos submetidos à moral. Em sua análise, é abordado como os valores foram forjados no percurso histórico e o modo que se instrumentalizaram a fim de uma moralização dos costumes justificando sua verdade, expressão maior através do cristianismo, pelos ideais ascéticos. A moral judaico-cristã é uma forma de negação vital, uma vez que sua base reside numa verdade metafísica criada para a finalidade de domínio. Logo, a concepção sobre verdade torna-se perspectiva, pois sua gênese é analisada como criação histórica, i.e., perde-se o seu caráter absolutizador. Nietzsche propõe um novo modo de olhar à realidade, uma ética criativa destituída dos valores metafísicos e, para isso, se adentra ao seu esteticismo. A criação é expressão do indivíduo que afirma e aceita o seu destino, amor fati, como abertura ao porvir, ao indeterminável e improvável permitindo-se a uma constante reinterpretação da sua existência, a vida afirmada como “potência”, transvaloração dos valores que antes a degeneravam e enfraqueciam sua capacidade inventiva. Sua adesão, no lugar do homem malogrado, se dá no abraçamento à exuberância da própria vitalidade.
Palavras-chave: Amor Fati. Criação. Estética. Genealogia. Moral.