O contraste entre as posições de Freud e Nietzsche sobre a distribuição da renúncia pulsional e suas consequências para o macrodiagnóstico
DOI:
https://doi.org/10.20911/25260782v11n3p122/2026Resumo
Este trabalho explora as consequências do contraste entre as concepções antropológicas de Freud e Nietzsche para os diagnósticos de contexto orientados por suas teorias. A investigação situa em Freud, recorrendo a Totem e Tabu, a concepção da homogeneidade da renúncia pulsional como inauguradora da cultura, onde cada homem renuncia às suas tendências incestuosas e violentas, bem como à ambição de reocupar o posto de pai primevo. Esse modelo freudiano será contrastado com o de Nietzsche, para quem a distribuição da renúncia pulsional é originalmente desigual, sendo menos onerosa para setores e indivíduos criadores de valores, e posteriormente equalizada com o advento do sistema de valoração judaico-cristão. A diferença situada será reportada às consequências em Freud da universalidade do complexo de édipo e limitação androcêntrica de sua teoria da cultura. Essa estrutura impõe às análises de contexto, aqui denominadas macrodiagnósticos, a exigência de encontrar tendências condizentes com o complexo de édipo e renúncia pulsional. Já em Nietzsche, essas análises apresentam orientadores mais gerais, como o reconhecimento do antagonismo da moralidade e das tendências de rebanho contra o desenvolvimento da expansão da vontade de domínio. Por fim, a pesquisa se utiliza desse contraste para estabelecer uma relação de complementariedade entre os modelos.
Palavras-chave: Freud. Nietzsche. Édipo. Pulsão.