Democracia e conflito em disputa: Nietzsche e os limites da política agonística

Autores

  • Daniel Reilly Universidade Federal do ABC

DOI:

https://doi.org/10.20911/25260782v11n3p154/2026

Resumo

Baseado na suspeita de que a democracia moderna foi esvaziada de seu potencial transformador, uma diversidade de autores se propôs, contra esse impasse, a colocar em questão presunções mais básicas da prática política contemporânea. Dentre aqueles que tomam parte da discussão, destacam-se aqueles que recorrem a Friedrich Nietzsche para pensar o agonismo — escolha controversa, dada a resistência do filósofo em elaborar uma teoria política, além das suas aspirações aristocráticas. Ainda assim, a ênfase que Nietzsche concede ao protagonismo do conflito na constituição de formas de existência social mais saudáveis é vista por alguns como crucial para a discussão democrática, além de suficiente para identificar na obra do filósofo indagações que sustentariam tal associação. Nesse contexto, nos reportamos ao trabalho de Lawrence Hatab como alguém alinhado a essa perspectiva. A escolha por mostrar suas reflexões se justifica à luz da originalidade com que recolhe, nos textos de Nietzsche, subsídios que permitiriam reconceituar a democracia a partir de um registro mais radical. Contudo, apontamos que, apesar da sistematicidade de Hatab, ele relativiza posições centrais de Nietzsche, cujas críticas ao discurso político são mais amplas e categóricas do que convém ao autor americano. Para evidenciar isso, ancoramo-nos na abordagem hermenêutica de Werner Stegmaier para trazer à luz a atitude experimentalista de Nietzsche, que, acreditamos, Hatab perde de vista. Buscamos, assim, expor e contestar as limitações da teoria agonista.

Palavras-chave: Nietzsche. Agonismo. Democracia. Conflito. Política.

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Publicado

2026-07-06

Como Citar

Reilly, D. (2026). Democracia e conflito em disputa: Nietzsche e os limites da política agonística. Annales Faje, 11(3), 154. https://doi.org/10.20911/25260782v11n3p154/2026