VIRTUDES E VÍCIOS EPISTÊMICOS E O CHATGPT
DOI:
https://doi.org/10.20911/21769389v52n164p533/2025Resumo
Este artigo analisa o ChatGPT sob a perspectiva da epistemologia das virtudes, argumentando que, apesar de certos benefícios, a ferramenta é mais propensa a fomentar vícios epistêmicos do que a cultivar virtudes. Após delinear as noções centrais da epistemologia das virtudes, particularmente a distinção entre virtudes e vícios intelectuais, o artigo avalia o impacto epistêmico de modelos de linguagem de grande porte (LLMs) na ciência e na educação. Embora o ChatGPT possa oferecer vantagens práticas como velocidade, acessibilidade e suporte pedagógico, ele também incentiva a passividade intelectual, enfraquece a memória, a autoria e o pensamento crítico, e reproduz vieses sociais. Essas dinâmicas geram o que estudos recentes descrevem como “dívida cognitiva”, uma erosão progressiva da autonomia e da responsabilidade intelectual. O artigo destaca que delegar tarefas epistêmicas ao ChatGPT frequentemente distorce propósitos, privilegiando resultados em detrimento de processos essenciais ao florescimento intelectual. Conclui que o uso generalizado e acrítico de LLMs corre o risco de consolidar a preguiça, a indiferença epistêmica e a desonestidade, minando, em vez de fortalecer, nossas capacidades como agentes epistêmicos.
Palavras-chave: Epistemologia baseada em virtudes. ChatGPT. Vícios intelectuais.








