A IA VAI A JULGAMENTO: AS IAS PODEM SER REALMENTE INTELIGENTES?
DOI:
https://doi.org/10.20911/21769389v52n164p647/2025Resumo
Alan Turing previu que o uso das palavras se modificaria a tal ponto que hoje poder-se-ia falar sem constrangimento a respeito de máquinas que pensam. Assim, a questão “As máquinas podem pensar?” seria considerada insignificante. No entanto, na literatura atual, chega-se a afirmar que a aplicação não metafórica de predicados como inteligente e pensar a máquinas e a sistemas é sempre ilegítima ou mesmo absurda, pois carece de sentido. Em contrapartida, tenta-se, não apenas justificar a aplicação desses predicados, mas provar a existência da própria IA. O objetivo geral deste artigo, portanto, é lançar alguma luz sobre essa “Babel Tecnológica”, recorrendo a uma consciência linguística mais plena. Assim, emprega-se a metodologia filosófica de Garth Hallett a fim de dissolver o entendimento padrão da questão. Dessa forma, abre-se espaço para a predicação adequada no contexto da IA e da robótica. Em seguida, por intermédio do ‘Princípio de Semelhança Relativa’ (PSR) e da ‘Norma de Correspondência Linguística’ (NCL) hallettianas, que aquilo que pode ser rotulado como IA não apenas pode receber o veredito “inteligente”, mas também os vereditos “não-inteligente” e “não-decidido”. A adoção dessa posição permite contribuir para o esclarecimento de questões disputadas na IA, que abrigam sérias implicações jurídicas e morais, como as de ‘autoria’ e ‘liberdade’.
Palavras-chave: Inteligência Artificial. Filosofia da Linguagem. Garth Hallett. Princípio de Semelhança Relativa. Norma de Correspondência Linguística.








