Des-sacerdotalizar o ministério ordenado
Abstract
Na perspectiva moral, o clericalismo, sim, representa um problema maior para a Igreja e a pastoral. Contudo, na perspectiva teológica, o problema reside na indevida sacralização dos ministros ordenados. O esquema, que opõe o profano e o sagrado, é remarcado com a noção “sacrifício”, a qual permitiria a transposição da infinita distância entre a divindade (sagrada) e as criaturas (profanas). Com a Encarnação e a Páscoa de Jesus de Nazaré, todos os sacrifícios foram abolidos; ele restabeleceu em si próprio o vínculo entre Deus e os seres humanos, entre Deus e a criação. Portanto, não há mais sentido para falar de sacrifícios. Entretanto, o “sacrifício” ainda é muito presente na vida da Igreja e muito mais na vida dos ministros ordenados, que o realizariam in persona Christi como expiação dos pecados. Vale perguntar-se se tal realidade corresponde à Revelação cristã ou se seria a manutenção de pré-conceitos religiosos, que visam a separação dos “ministros sagrados” das comunidades. Além de revisitar, a modo de introdução, os estudos sobre os ministérios feitos por E. Schillebeeckx, este breve trabalho pretende explorar a crítica à noção “sacrifício” realizada por F. Hinkelammert e propor novos caminhos para o ministério ordenado, como o fizeram J. Sobrino e F. Taborda ao refletir sobre a vivência ministerial na América Latina.
Palavras-chave: Sagrado-Profano. Sacrifício. Misericórdia.