A arte de Wagner enquanto sintoma da degeneração fisiológica
DOI:
https://doi.org/10.20911/25260782v11n3p17/2026Resumo
O presente artigo tem como objetivo analisar a concepção de Nietzsche sobre a decadência, estabelecendo sua conexão com a negação do corpo e da vida. Partindo de uma perspectiva crítica, investiga-se como a decadência estética está vinculada à degeneração fisiológica e moral, compreendida a partir da desagregação dos instintos, manifestação de um estado de enfraquecimento da vida. Nesse contexto, o compositor alemão Richard Wagner é apresentado como exemplo de um típico decadente, caracterizado por Nietzsche em seus escritos tardios O caso Wagner e Nietzsche contra Wagner (ambos de 1888). Ao reconhecer em Wagner a figura emblemática da expressão do ressentimento pela arte, a crítica direcionada à arte wagneriana insere-se no projeto filosófico nietzschiano de elaboração de uma fisiologia da arte, capaz de diagnosticar, por meio das criações artísticas, o estado de saúde ou de doença das forças participantes. A partir disso, este trabalho argumenta que a crítica a Wagner constitui uma via pelo qual podemos compreender a relação entre arte e vontade de poder, revelando o potencial afirmativo ou reativo da criação artística. A arte, nesse horizonte, torna-se campo de expressão da vida em sua potência ou em sua negação, conforme as forças que nela prevalecem.
Palavras-chaves: Nietzsche. Fisiologia da arte. Vontade de poder. Arte.