Corpo em perspectiva: Nietzsche e o perspectivismo em Viveiros de Castro
DOI:
https://doi.org/10.20911/25260782v11n3p43/2026Abstract
O objetivo deste trabalho é construir um diálogo extemporâneo entre o perspectivismo nietzschiano e o perspectivismo ameríndio, termo cunhado por Eduardo Viveiros de Castro em torno das perspectivas de povos ameríndios acerca do humano. O perspectivismo ameríndio considera que todos os seres (humanos, espíritos e animais) são sujeitos porque possuem ponto de vista e “humanidade é o nome da forma geral do Sujeito” (VIVEIROS DE CASTRO, 2023). Todos os viventes são sujeitos e possuem alma, porém, os mundos e as perspectivas de cada agrupamento serão diferentes porque emanam do corpo – e o corpo revela a diferença entre os pontos de vista. É a partir do corpo que as perspectivas são construídas. Nesse sentido, Nietzsche também mostra que o mundo é uma ficção feita de perspectivas criadas não por uma unidade subjetiva (alma, razão), mas pela multiplicidade própria ao corpo. Assim, trata-se de colocar a noção de corpo em perspectiva: se o mundo é uma ficção de autoria fictícia é porque seus autores são também ficções, ou, mais especificamente, são criações. Nietzsche subverte a tradição metafísica ao construir uma noção de homem inteiramente voltada ao corpo: o corpo é a “grande razão” que faz Eu (ZA I, “Dos desprezadores do corpo”); através de Zaratustra, o filósofo deseja ensinar aos homens o Eu criador de sentidos telúricos e de valores voltados à terra. E será o perspectivismo de ambos os autores o ponto convergente para discutir as correlações sujeito-mundo, autoria-ficção, natureza-cultura, corpo e alma, temas a serem desenvolvidos nesta proposta de trabalho.
PALAVRAS-CHAVE: Perspectivismo. Corpo. Nietzsche. Viveiros de Castro.