Hermenêutica Feminista Negra: Talitha cum como poder da ressurreição
Resumen
Em muitas sociedades as mulheres sempre foram subjugadas e consideradas inferiores aos homens. Partindo da visão tradicional de que as mulheres são vítimas desde a aurora dos tempos, por parte dos homens, o presente trabalho revela que não só uma certa interpretação machista da Bíblia tem contribuído para essa opressão, mas também que a mesma Bíblia, lida diferentemente, pode propor solução para prevenir e evitar os danos causados por sua má interpretação. Este é nada menos que o trabalho que cabe ao Círculo de Teólogas Africanas Preocupadas, pioneiras da hermenêutica Talitha cum, considerada como a arte de se levantar continuamente contra os poderes mortíferos que causam tanta desolação e infortúnio no continente africano. Essa hermenêutica segue, mutatis mutandis, os passos de Kimpa Vita (1682-1706) que, à custa da sua própria vida, iniciou um vigoroso protesto contra o poder religioso e político do seu tempo no reino do Kongo, ao propor uma interpretação “anti-imperialista” da Bíblia. Algo impensável para uma mulher negra no auge da colonização europeia entre o final do século XVII e início do século XVIII.
Palavras-chave: Opressão. Mulheres. Bíblia. Kimpa Vita. Talitha cum.