Entre Apolo e Dioniso: Nietzsche e a estética trágica como crítica à racionalidade moderna
DOI:
https://doi.org/10.20911/25260782v11n3p25/2026Resumen
Este trabalho propõe uma leitura de O Nascimento da Tragédia (1872), primeira grande obra de Friedrich Nietzsche, como crítica à racionalidade moderna e ao esvaziamento da cultura ocidental. Ao recuperar a tragédia grega como expressão da tensão entre Apolo e Dioniso, Nietzsche elabora uma concepção estética que valoriza o conflito, o sofrimento e a embriaguez vital como formas fundamentais de afirmação da existência. A análise, de natureza hermenêutica e filosófica, examina como o teatro ático — especialmente em Ésquilo e Sófocles — articula forma e excesso, ordem e abismo. Discute-se ainda o papel de Sócrates e Eurípides na dissolução do elemento musical e dionisíaco da tragédia, em favor de uma racionalidade discursiva que inaugura o niilismo moderno. Em contraste, Nietzsche compreende a tragédia como espaço de transfiguração do sofrimento em força criadora. A atualidade dessa visão aponta para a urgência de restaurar o vínculo entre arte e existência, como forma de resistência aos modos empobrecidos de subjetivação na contemporaneidade. Trata-se, em última instância, de pensar a arte como potência de regeneração sensível e crítica da cultura.
Palavras-chave: Vitalismo. Estética trágica. Antiguidade. Dionisíaco. Subjetividade.