O imoralismo e a criação de valores em Nietzsche
DOI:
https://doi.org/10.20911/25260782v11n3p145/2026Resumen
Os golpes do martelo nietzschiano podem ser encarados como parte do processo que possibilitará o surgimento de novas formas de vida e de avaliações. Se Deus está morto, e com ele também desapareceram os fundamentos do edifício moral, o homem encontra-se livre para criar e deixar surgir novas auroras. Para Nietzsche, os valores morais não existem em si mesmos, mas são o resultado de criações humanas, demasiado humanas, pois na própria definição de homem está contida a sua capacidade de “avaliar”, de “medir” e atribuir valores às coisas e às ações. “Bem e mal que sejam perenes — isso não existe!” (ZA/ZA II Da 164 Superação de Si Mesmo) E, se o homem é um criador de valores por excelência, o que importa ao filósofo imoralista é questionar se esses valores promovem ou diminuem a vida, se são expressão da força ou da fraqueza, se estimularam ou dificultaram o crescimento do homem até agora (GM/GM, Prólogo 3). É a partir desse critério que o filósofo analisa a moral e pesa novamente os valores. As avaliações morais que existiram e ainda existem deverão ser vistas enquanto sintomas, enquanto resultado de um determinado conjunto de impulsos e jamais como “verdadeiras” ou “falsas”, “certas” ou “erradas”, “boas” ou “más”. Este texto pretende investigar a relação entre o imoralismo de Nietzsche e a criação de valores mais afirmativos, valores estes que estejam em consonância com a vida e com sua expansão. Veremos ainda, de que modo a criação está condicionada a uma transvaloração radical de todos os valores até então cultivados pela tradição.
Palavras chave: Imoralismo. Criação de valores. Vida. Nietzsche.