O cansaço do apequenamento do ser humano
DOI:
https://doi.org/10.20911/25260782v11n3p62/2026Resumo
O objetivo deste trabalho é explicar como ainda no século XXI podemos verificar o cansaço do “apequenamento” do ser humano, a partir da sua experiência religiosa, conforme a obra Genealogia da moral, uma polêmica, de Friedrich Nietzsche. São selecionados para a argumentação os trechos da primeira dissertação sobre a origem de “bom e ruim” e “bem e mal”, em especial sobre a perspectiva do poder político entre os sacerdotes e os guerreiros, e sobre o modo como o cristianismo pode ser visto como uma manifestação de negação da vida. Em seguida, as ideias nietzschianas apresentadas nesses trechos são utilizadas para analisar os dados apresentados pelo último censo realizado em 2022 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acerca da população religiosa do Brasil, e aos dados apresentados pela pesquisa realizada pela Quaest em 2025, sobre a confiança das pessoas nas instituições religiosas do Brasil. Segundo Nietzsche, o cristianismo estimula a negação da própria “vida” ao valorizar a moral do “ressentimento”, na medida em que o que move a ação espiritual é um princípio externo a própria “vida”. A ação religiosa, conforme os argumentos de Nietzsche e os dados de pesquisas recentes sobre a religiosidade no Brasil, nos levam a admitir que ainda hoje o cristianismo domina a moral do ocidente e que essa visão cansa.
Palavras-chave: Valores. Moral do ressentimento. Cristianismo. Niilismo. Nietzsche.