Nietzsche: da metafísica do sujeito à afirmação do corpo
DOI:
https://doi.org/10.20911/25260782v11n3p111/2026Resumo
O tema deste trabalho é uma possível noção de subjetividade em Nietzsche, o que se desdobra em dois momentos. No primeiro apresentamos a crítica de Nietzsche ao sujeito metafísico que promove uma cisão entre corpo e alma (ou espírito, consciência, razão, eu); sendo Platão e Descartes dois dos principais representantes dessa tendência que atravessou séculos. Para além dessa ruptura do vivente, a metafísica do sujeito também desvaloriza o corpo, entendido como cárcere, um outro em relação ao Eu, ao passo que hipervaloriza a alma, a única que possibilitaria o acesso à verdade. No segundo momento exploramos a proposta nietzschiana de sujeito, que toma o corpo como princípio e fio condutor. Nietzsche promove uma abertura da interpretação do vivente ao afirmá-lo enquanto corpo, sendo este um campo de embate de impulsos em cambiantes hierarquias sempre provisórias a partir do qual se constitui a vida. Deste modo, qualquer ideia de subjetividade reduzida à racionalidade ou espiritualidade cai de seu pedestal e passa a significar um mero instrumento, brinquedo do corpo, pequena razão. Concluímos que Nietzsche rompe com a tradição ocidental da subjetividade, para criar sua própria concepção, agora pautada no corpo, na fisiopsicologia, numa tentativa, bem lograda, de propor uma filosofia contrametafísica, que diz sim à vida, ao devir, ao inconcebível e que não empobrece a realidade em simples dualismos.
Palavras-chave: Nietzsche. Subjetividade. Metafísica. Corpo.