Cuidado pastoral à luz da analítica do poder de Michel Foucault: problematizando uma prática política de governo das condutas
DOI:
https://doi.org/10.20911/21799024v15n1p19/2024Resumo
Nos estudos de Michel Foucault sobre a matriz de poder que constitui os sujeitos do Ocidente, o poder pastoral, o cuidado aparece atribuído a líderes religiosos e políticos na pré-cristã metáfora do pastor. O poder pastoral é precisamente conduzir para um objetivo e, a um só tempo, intermediar a condução. Em decorrência disso, o cuidado emerge como uma prática de pastoreio. A hipótese do presente texto é que o cuidado concerne a uma prática paradoxal de poder, já que pode satisfazer necessidades e limitar a autonomia em situações-limite, para governar condutas. Nosso objetivo principal é a problematização da prática de cuidado desde a analítica do poder. Primeiramente, situaremos o poder pastoral na analítica do poder; em seguida, analisaremos a emergência do cuidado no pastorado oriental; na continuidade, faremos uma síntese dos traços distintivos do poder pastoral, ressaltando o cuidado como prática de governo; e, por fim, problematizaremos o paradoxo do cuidado na vida quotidiana. Na conclusão, apontaremos para o funcionamento paradoxal do cuidado, que, por um lado, inibe a autonomia dos sujeitos, e que, por outro lado, os promove como sujeitos social e politicamente autônomos.
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