A cura pela palavra na tragédia segundo Aristóteles
DOI:
https://doi.org/10.20911/21799024v16n1p47/2025Resumo
Este artigo investiga o poder terapêutico da palavra na Antiguidade Clássica, com destaque para a concepção aristotélica da tragédia como meio de cura. Inicialmente, examina-se o uso da linguagem nas epopeias homéricas, no pensamento de Platão e na medicina hipocrática, ressaltando seu valor simbólico e relacional no cuidado do corpo e da alma. São consideradas práticas como o encantamento e a cultura da culpabilidade, que vinculavam palavra, saúde e doença. Em seguida, analisa-se a Poética de Aristóteles, na qual a tragédia é entendida como imitação de ações humanas que despertam terror e piedade, conduzindo à catarse. Mais que recurso linguístico, a palavra trágica emerge como instrumento de transformação interior e purificação das emoções. Conclui-se que a tradição antiga reconheceu o alcance terapêutico da palavra nos planos físico, psíquico, social e espiritual, antecipando reflexões que se consolidariam em práticas posteriores de cuidado e psicoterapia.
Palavras-chave: Aristóteles; tragédia; palavra; catarse; psicoterapia.
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