A retribuição e a práxis libertadora
DOI:
https://doi.org/10.20911/21799024v16n2p178/2025Resumo
Ao analisar fenomenologicamente os atos humanos, Antonio González, filósofo e teólogo espanhol, indica que, além do ato em si, um resultado é esperado. No âmbito das religiões, o resultado do actus religiosus é a retribuição, ou seja, quem age bem pode esperar uma retribuição positiva por seus atos, quem age mal, ao contrário, espera uma retribuição negativa. Nesse sentido, “a maldade” desta vida torna-se religiosamente justificável porque quem “se comporta” mal vive “mal”; logo, o sacrifício e o sacerdócio, instituições presentes em diversas tradições religiosas, não são compreensíveis, mas necessários: a oferta do sacrifício por um membro da casta sacerdotal o mal pode ser aplacado. Contudo, na perspectiva salvífica, a lógica retributiva é totalmente perversa porque fecha a possibilidade de salvação para aquelas e aqueles que, aos olhos deste mundo, aparecem como condenados: os pobres, os injustiçados, os aflitos, os perseguidos, os injuriados, os caluniados (Mt 5,1-12), as vítimas deste mundo. Em sua práxis libertadora, Jesus de Nazaré move-se na direção oposta: a salvação é ofertada precisamente às vítimas. É possível afirmar ainda mais: em sua práxis, o Nazareno revela que elas e eles são vítimas da perversidade da própria lógica retributiva. Este breve trabalho pretende estudar a práxis libertadora de Jesus de Nazaré, a qual é prolongada, hoje, por mulheres e homens que se opõem à lógica retributiva e se dedicam às vítimas deste mundo. Além das pesquisas de Antonio González, revisitar-se-á obras de Jon Sobrino, Gustavo Baena e Alberto Parra.
PALAVRAS-CHAVE: Vítimas. Não Violência. Gratuidade. Misericórdia.
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